Como segundo projeto da unidade curricular Design e Comunicação Visual,
foi-nos proposto um trabalho que consistia na realização de uma
infografia tipográfica. Isto é, tínhamos de elaborar um desenho formado
por palavras, baseado numa notícia, poema ou música, de modo a
transmitir a informação através do design. Paralelamente, foi-nos pedida
uma recolha de imagens nas quais nos inspirámos.
Inicialmente, tínhamos uma ideia para elaborar a infografia. Contudo, ao
longo das aulas e com o auxílio da professora, percebemos que a imagem era
demasiado confusa para ser representada como infografia. Posto isto, escolhemos
outro texto para o trabalho que, neste caso, foi uma literatura de Cordel (“É
um género literário popular escrito normalmente em rima e que recebe este nome
porque uma vez que está exposto para venda é pendurado em cordões ou
barbantes”) para seguir alinha da ideia inicial de utilizar um poema, visto que
é um tipo de texto que representa uma parte da cultura brasileira, considerando
que uma das discentes é brasileira e que, de certa forma, concordamos que seria
algo original “dar o toque pessoal” ao trabalho.
O Cordel escolhido foi “O Tempo” de Marcos Mairton que representa uma constante contraposição do tempo: lentidão e velocidade,considerando o mesmo como agente influente na vida humana: “O tempo é um bicho teimoso que nunca obedece a gente, se a gente quer que ele corra, ele avança lentamente” ;“Mas, se quer que ele vá lento, é ligeiro como o vento”.
Representar o tempo seria demasiado óbvio, por isso procurámos um símbolo que o
fizesse de maneira original e, escolhemos então uma ampulheta. A partir dela,
tentámos adaptar à imagem diferentes tipos de letras, de
maneira a transmitir a mensagem do cordel tendo sempre presente a necessidade
de proporcionar diferentes sensações a todos os que a visualizassem. Por sua
vez, a maneira como as palavras foram organizadas, reflete a ideia de
contraposição entre a lentidão e a velocidade do tempo, associada ao desejo
humano, como se pode verificar em algumas frases inseridas na ampulheta. A
organização das palavras e do tipo de letra focou-se em vários aspetos, entre
os quais a facilidade de leitura e de percepção do tema escolhido, onde foram
utilizadas características como o “negrito” e os diferentes tipos e tamanhos de
letra de maneira a concentrar a atenção das pessoas não só para uma palavra, mas
sim para uma infinidade delas, captando assim a sua total atenção. Ainda assim,
é importante referir que as palavras estão soltas e não estão a definir
uma construção frásica específica, exceto na primeira e ultima linha da parte de cima da
ampulheta. Estas complementam-se e explicam de certa forma as palavras que
aparecem na sua totalidade.O processo repete-se na parte inferior da
ampulheta.As laterais da ampulheta são constituídas por pontos de exclamação e
as bases inferior e superior são colchetes,podendo mais uma vez,ressaltar a
importância e capacidade dos símbolos de representar o que for preciso.
Relativamente à recolha fotográfica, esta foi feita a partir do livro “ A
History of Graphic Design” de Philip B. Meggs e “Emigre No.70” de Gingko Press
que nos permitiu, de certa forma, assimilar as principais partes que constituem
os tipos como é o caso das hastes (linhas verticais), das barras (linhas
horizontais), barrigas e bojos (curvas), ascendentes e descendentes, as
montantes, ápices, vértices, serifas e esporas e os ocos. Nenhum dos caracteres
possui todos estes elementos, mas alguns deles são específicos de alguns
caracteres (braços, ombros, ganchos, orelhas).
Por fim, concluímos que a elaboração de uma infografia tipográfica nos permitiu compreender melhor a comunicação gráfica, a ampliar os nossos horizontes a novas experiências visuais,trouxe-nos a capacidade “de um olhar mais detalhista” e perceber mais sobre os tipos de comunicação. Resumidamente, os nossos objetivos foram alcançados e esperamos que as expectativas sejam correspondidas.
Webgrafia: http://pt.slideshare.net/guest788d5c4/anatomia-tipogrfica
Trabalho por: Larissa Oliveira e Maria Ramos




